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segunda-feira, 25 de maio de 2015

História de um País que enganou o tempo com a pedraas

Tenno
É noite.

Uma ruazinha feita de pedra se escala decidida, iluminada como a garganta de uma mina estreita e escura, se tornando grande em um bosque espesso. As sombras se fundem umas com as outras, formando um amálgama misterioso e incoerente.
Estranhamente o frio do inverno chega sem avisar e também o vento se reduz a um simples sussurro, aquele pouco que basta pra me fazer imaginar sentir vozes provenientes do profundo da noite. Olho ao redor... (more)

História de um País que enganou o tempo com a pedra
Sugestão de Musica: Interstellar Main Theme
  

É noite.

Uma ruazinha feita de pedra se escala decidida, iluminada como a garganta de uma mina estreita e escura, se tornando grande em um bosque espesso. As sombras se fundem umas com as outras, formando um amálgama misterioso e incoerente.
Estranhamente o frio do inverno chega sem avisar e também o vento se reduz a um simples sussurro, aquele pouco que basta pra me fazer imaginar sentir vozes provenientes do profundo da noite. Olho ao redor…

Uma a uma desfilam perto de mim as magras estacas que com seus vislumbres de luz branca cônica, e parecem coisas velhas que metem medo. Provavelmente sou eu que desfilo pra elas. As pedras debaixo dos meus pés são vicosas de umidade, devo estar atento pra não escorregar.
Uma névoa doce como o açúcar em pó, posa sobre cada coisa, criando orvalho nas bordas escuras de cada objeto vivo ou inanimado. E da coberta leitosa e escura, justo agora que meus pensamentos começam a impregnar-se de água, me recordam, preciso como um sonho, o gotejar quieto de uma fonte de água. Não a vejo ainda mas sei onde está. Me aproximo e se torna torrente incessante. Escorre longo o ventre do bosque e que logo surge uma pequena fonte que a água toca e que se torna uma fonte esculpida pela rocha. E sobre ela um pequeno triângulo de turfa encharcada, placenta noturna de jovens cyclamens.
Gostaria de conhecer a mão delicada que delas cuidam. Existem traços de amor por toda parte aqui em volta, divino e humano. Como o gato que observa entre a erva escura, com sua bela fivela vermelha no pescoço e um sininho dourado que balança como uma jóia. Agora olha pra outro lado. Não teme quem emerge da vilinha, silencioso como um predador. Porque aqui o silêncio é de todos, não sós dos ladrões e vilões.

O gato pisca os olhos, a torrente escorre, o sininho balança e eu faço um passo depois do outro, atento pra não escorregar.

Tenno

Levanto o olhar, seguindo a linha do muro seco que surge diante de mim, a névoa se desfaz ordinadamente e como que por encanto um bloco de gelo cor grafite fura a incerteza da minha visão com um iceberg de rocha e trêmulas luzes alaranjadas flutuando entre as rachaduras leitosas. São casas, relíquias centenárias da casca de pedra espessa, rugosa. E olhando-a penso que nenhuma casa possa ser mais casa do que uma casa assim, observo o arquétipo da casa, um refúgio seguro e quente, com uma lareira e árvore de natal enquanto que lá fora se intensifica a escuridão e todas as formas de tempestade.

Tudo é de pedra e silêncio. Cidadezinha medieval que não sabe envelhecer porque foi construída com os mesmos princípios eternos das montanhas que a circundam.
Agora me encontro no centro da cidadezinha, ou pelo menos creio. Sobre os muros têm fixados sinais que indicam a casa do oleiro e do padeiro. Da casa `a minha direita se acende uma luz azul, no segundo andar. Nenhum som, nem sussuro. Será bobo, claro, mas eu pensei em um fantasma feito de luz e de tempo. Sigo a luz e os sinais.

E chego em um espaço onde tem pequenos gnomos empalhados, de poses brincalhonas e irreverentes. Passo em frente a um pequeno museu de equipamentos agrícolas pra depois me encontrar com os pés sobre um pavimento de imagens. Meu pé direito sobre a Vênus de Botticelli, o meu esquerdo na sombra. Olho a vetrine em frente a mim, cheia de sininhos feitos `a mão em sequência certa, presos quando eram jovens e aperfeiçoados no tempo imenso que ontem era futuro e hoje se chama passado.

É hora de voltar pra casa. Me giro.

 “ Tchau Tenno”

❤ Dicas Práticas
Inserido entre os lugares mais belos da Itália, Tenno é uma cidadezinha medieval de fascínio e mistério intensos. O turismo a toca de raspão e então, em circunstâncias normais esse lugar será todo de vocês. Aproveitem! Em particular sugerimos como muito agradável o passeio que leva do maravilhoso lago de Tenno, a cidadezinha homônima. As cores do lago te surpreenderão, especialmente se o sol será brilhante. 
Mas o que esperar ao redor de Tenno? Muito! Basta girar duas curvas e olhar ao horizonte que aparece a ponta norte do Lago de Garda com todo o seu fascínio e suas belas cidades: Riva del Garda, Arco, Malcesine... Todas com lugares ricos de beleza e panoramas encantadores. 
Vocês podem fazer passeios ao longo do lago ou escursões nas montanhas adjacentes. Existem também muitos percursos de mountain bike, somente em descida pra quem não quer se cansar muito. É muito bela por exemplo, a descida do monte Baldo, que se sobe de teleférico. Encontra-se na região de Trentino Alto Adige, onde estrutura e serviços estão entre as melhores do País. 
Durante o inverno, as termas de Sirmione são uma parada obrigatória. Que vocês podem relaxar em um dos numerosos spas presentes no território, e aproveitar um panorama notável desde os tempos antigos como testemunha, o poeta Gaio Valerio Catullo (84 a.C. - 54 a. C.) 
Onde e o que comer? Sigam esse link que portará vocês, em um dos nossos restaurantes preferidos e digam o que acham (gnam1 gnam2, gnam3).


Link Utili:
* Trenitalia
* VisitGarda
* La Berlera

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